Veículo de deputada ameaçada por milicianos é atingido por tiros de fuzil no Rio de Janeiro

Martha Rocha (PDT) teve o carro alvejado por tiros de fuzil na manhã do domingo (13), na Penha, zona norte do Rio.

Ex-chefe da Polícia Civil do Rio, a deputada estadual Martha Rocha (PDT) teve o carro alvejado por tiros de fuzil na manhã do domingo (13), na Penha, zona norte do Rio.

A deputada estava com a mãe e o motorista em um veículo blindado e não ficou ferida no ataque. No fim de 2018, Martha foi ameaçada de morte por milicianos. A polícia investiga a hipótese de atentado e não descarta a possibilidade de uma tentativa de assalto. O motorista da parlamentar, o subtenente reformado da PM Geonísio Medeiros, ficou ferido por estilhaços de bala na perna. Ele foi atendido no Hospital Getúlio Vargas e liberado em seguida.

A mãe da deputada, de 88 anos, se abaixou no carro durante o ataque e não foi atingida. Martha e o motorista haviam buscado a mãe da deputada, que mora na Penha, e seguiam para a assistir a uma missa na Tijuca. Ainda na Penha, segundo a deputada, Medeiros notou que um carro Celta de cor banca estava atrás. Dentro, ela contou ter visto um homem vestido de preto, com luvas e touca no rosto também pretas. Segundo o relato da delegada, em certo momento, o homem colocou a metade do corpo para fora, portando um fuzil. Pouco tempo depois, passou a disparar contra o veículo, atingindo duas rodas. O Celta perseguiu o carro da delegada até a altura da Avenida Brasil. O motorista conseguiu entrar em uma das ruas próximas e dirigir até o Olaria Atlético Clube, onde buscaram socorro. Os criminosos fugiram.

O governador do Rio, Wilson Witzel (PSC), determinou escolta imediata para Martha, “já que ainda não sabemos se é atentado ou latrocínio”. Em depoimento na Delegacia de Homicídios na Barra da Tijuca, na zona oeste, Martha relatou que recebeu ameaças de morte vinda de um grupo miliciano no início de novembro. Segundo a deputada, a ameaça chegou três vezes, via disque-denúncia, e foi comunicada às autoridades de segurança. A mensagem, afirmou Martha, era de que o grupo pretendia atingir autoridades e seu nome vinha especificado entre os alvos “com letras garrafais”. “Na ocasião, falei pessoalmente com o Rivaldo Barbosa (então chefe da Polícia Civil) e com o Gilberto Ribeiro (subchefe operacional) e pedi uma análise de risco, para ver se a ameaça tinha fundamento ou não”, disse.

O presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), André Ceciliano (PT), foi quem acompanhou Martha na época. Segundo ele, o então interventor federal na Segurança, general Braga Netto, e o então secretário de Segurança, general Richard Nunes, também foram informados. “Nos reunimos com eles e contamos o que aconteceu. Não podemos entrar em mais detalhes sobre a ameaça por questões de segurança. Mas posso dizer que teria partido de milicianos que tramariam a morte dela.” Escolta. Martha relatou que, depois das reuniões, Ribeiro lhe telefonou para oferecer escolta policial por um mês, mas ela recusou, afirmando que queria apenas a apuração da denúncia. “Não recebi resposta do resultado dessa investigação”, disse a deputada, que, na sequência, comprou o carro blindado que estava usando neste domingo. “Se houve ausência de cuidado, quem tem de explicar são eles, até porque não sei qual foi a motivação deste fato (o ataque de domingo).” O deputada destacou que, quando era delegada titular, atuou na região de Campinho, dominada pela milícia, e trabalhou na investigação das organizações criminosas. Martha foi a primeira mulher a chefiar a Polícia Civil do Rio, em 2011. Em 2014, foi eleita pela primeira vez deputada estadual e logo assumiu a presidência da Comissão de Segurança Pública.

O deputado federal Marcelo Freixo (PSOL), que também recebeu ameaças por parte da milícia em dezembro, quando cumpria mandado de deputado estadual no Rio, acusou o Estado de omissão e pediu respostas imediatas. Ao menos outros três parlamentares também teriam recebido ameaças.

Nesta segunda-feira, 14, completam dez meses do assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, provavelmente por milicianos. Em nota, a Alerj considerou o ataque “extremamente grave” e pediu com urgência a prisão dos responsáveis. Também em nota, o Ministério Público do Rio disse que a ação “configura-se um ato de extrema gravidade, sobretudo por tratar-se, mais uma vez, de uma parlamentar, o que representa uma tentativa de intimidação e ameaça ao Estado Democrático de Direito”.

Fonte: CGN/Estadão Conteúdo/O Estado de São Paulo

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